Angioedema Hereditário
Em palavras simples
O Angioedema Hereditário (AEH) é uma doença genética rara caracterizada por episódios recorrentes e imprevisíveis de inchaço na pele e mucosas. Causado pela deficiência ou mau funcionamento da proteína inibidor de C1-esterase, resulta em um excesso de bradicinina, que aumenta a permeabilidade vascular. Os sintomas incluem inchaços, dor abdominal intensa e risco de obstrução das vias aéreas. Embora não tenha cura, o tratamento foca na prevenção e no controle dos ataques agudos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Sobre a doença
O Angioedema Hereditário (AEH) é uma doença genética rara que causa inchaços recorrentes e transitórios na pele e/ou nas mucosas. Esses inchaços podem causar dor abdominal intensa.
## Visão Geral
Normalmente, o corpo possui sistemas que regulam a inflamação e a coagulação do sangue. No AEH, há uma deficiência ou mau funcionamento de uma proteína chamada inibidor de C1-esterase (C1-INH), que é crucial para controlar a produção de bradicinina, uma substância que aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos. Quando a C1-INH não funciona corretamente, há um excesso de bradicinina, levando ao extravasamento de líquido dos vasos para os tecidos, resultando nos inchaços característicos. Essa condição pode afetar significativamente a vida diária, causando dor, desconforto e ansiedade devido à imprevisibilidade dos ataques.
**Sinônimos**: AEH, HAE, HANE, angioedema hereditário, deficiência do inibidor de C1-esterase, edema angioneurótico familiar, angioedema hereditário induzido por bradicinina, angioedema hereditário não induzido por histamina.
## Causas e Mecanismos
O AEH é geralmente causado por uma mutação genética no gene SERPING1, responsável pela produção do inibidor de C1-esterase. Essa mutação pode ser herdada dos pais (AEH tipo I e II) ou surgir espontaneamente (mutação *de novo*). Em casos raros, o AEH pode ser adquirido (AEH tipo III), geralmente associado a outras condições médicas ou ao uso de certos medicamentos, como contraceptivos orais. A deficiência ou mau funcionamento do C1-INH leva a um desequilíbrio no sistema da bradicinina, resultando no aumento da permeabilidade vascular e, consequentemente, nos inchaços.
## Sinais e Sintomas
Os principais sinais e sintomas do AEH incluem:
* **Inchaços:** Recorrentes e imprevisíveis, afetando principalmente a pele (rosto, lábios, mãos, pés) e as mucosas (garganta, intestino).
* **Dor abdominal:** Intensa e cólica, causada pelo inchaço nas paredes do intestino. Pode ser confundida com outras condições abdominais.
* **Dificuldade respiratória:** Inchaço na garganta (laringe) pode obstruir as vias aéreas, representando uma emergência médica.
* **Voz rouca:** Também pode ser um sinal de inchaço na garganta.
* **Náuseas e vômitos:** Associados aos episódios de dor abdominal.
## Diagnóstico
O diagnóstico do AEH geralmente envolve:
* **História clínica:** Avaliação dos sintomas, histórico familiar de inchaços e outras condições médicas.
* **Exame físico:** Observação dos inchaços e outros sinais.
* **Exames de sangue:** Medição dos níveis de C1-INH (nível e função) e dos níveis de C4. Níveis baixos de C1-INH e C4 são indicativos de AEH. O teste genético para identificar a mutação no gene SERPING1 pode confirmar o diagnóstico.
## Tratamento e Acompanhamento
O tratamento do AEH visa prevenir e tratar os ataques agudos. As opções incluem:
* **Medicamentos para profilaxia:** Inibidores da calicreína, análogos do hormônio masculino (andrógenos atenuados) ou inibidor de C1-esterase derivado do plasma humano, para reduzir a frequência e a gravidade dos ataques.
* **Medicamentos para tratamento agudo:** Inibidor de C1-esterase recombinante ou derivado do plasma humano, antagonistas do receptor da bradicinina ou inibidores da calicreína, para interromper os ataques em curso.
* **Acompanhamento médico regular:** Para monitorar a eficácia do tratamento e ajustar a dose dos medicamentos, se necessário.
É importante ressaltar que não há cura para o AEH, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
## Qualidade de Vida e Apoio
Viver com AEH pode ser desafiador, mas existem estratégias para melhorar a qualidade de vida:
* **Identificar e evitar gatilhos:** Estresse, trauma, infecções e certos medicamentos podem desencadear ataques.
* **Manter um diário de sintomas:** Para identificar padrões e gatilhos.
* **Ter um plano de ação:** Em caso de ataque, incluindo quais medicamentos usar e quando procurar ajuda médica.
* **Buscar apoio emocional:** Grupos de apoio e terapia podem ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade associados à doença.
* **Informar familiares e amigos:** Sobre a condição e como agir em caso de emergência.
## Pontos-Chave
* O Angioedema Hereditário (AEH) é uma doença genética rara que causa inchaços recorrentes na pele e mucosas.
* A deficiência ou mau funcionamento do inibidor de C1-esterase (C1-INH) é a principal causa do AEH.
* Os sintomas incluem inchaços, dor abdominal e, em casos graves, dificuldade respiratória.
* O diagnóstico envolve história clínica, exame físico e exames de
Como se transmite
Autossômica dominante
O que perguntar ao seu médico
- Este diagnóstico é confirmado por exame ou é clínico?
- Existe teste genético que confirme, e onde fazer?
- Meus outros filhos ou parentes precisam ser investigados?
- Qual especialista deve me acompanhar daqui em diante?
- Existe tratamento específico, ou o cuidado é dos sintomas?
- Tenho direito a algum medicamento pelo SUS?
Sinais e sintomas
inchaços recorrentes na pele; inchaços em mucosas; dor abdominal intensa; cólica abdominal; dificuldade respiratória; voz rouca; náuseas; vômitos
Caminhos de investigação
história clínica; exame físico; medição dos níveis de C1-INH (nível e função); medição dos níveis de C4; teste genético para o gene SERPING1
Especialidades relacionadas
imunologia; alergologia; genética médica