Ir direto para o conteúdo
IntegraRARAS
Aa Acessibilidade

Ajuste sua leitura

Entrar
Doenças

Bloqueio Cardíaco Congênito

Sobre a doença

# Bloqueio Cardíaco Congênito

O Bloqueio Cardíaco Congênito (BCC) é uma condição rara que afeta o sistema elétrico do coração. Nela, há uma interferência na transmissão dos impulsos nervosos que regulam o ritmo cardíaco, impactando a capacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente.

## Visão Geral

Normalmente, o coração possui quatro câmaras: dois átrios (superiores) e dois ventrículos (inferiores). Para bombear sangue, o coração precisa de um estímulo elétrico gerado no nó sinoatrial (SA), que funciona como um "pacemaker" natural. Esse estímulo viaja pelos átrios até o nó atrioventricular (AV), que transmite o sinal para os ventrículos através do sistema His-Purkinje, permitindo a contração ventricular. No BCC, essa transmissão é interrompida ou retardada. A gravidade varia entre os indivíduos, podendo ser temporária ou permanente. Essa condição não afeta o fluxo sanguíneo nas artérias coronárias.

**Sinônimos**: Bloqueio Atrioventricular (BAV), CHB (do inglês *Congenital Heart Block*).

## Causas e Mecanismos

O BCC ocorre quando há uma falha na condução dos impulsos elétricos através do nó AV. A causa mais comum é a presença de anticorpos maternos (anti-Ro/SSA e anti-La/SSB) que atravessam a placenta e atacam o sistema de condução cardíaca do feto. Em casos mais raros, o BCC pode estar associado a defeitos cardíacos estruturais ou a mutações genéticas. A fisiopatologia envolve a inflamação e fibrose do nó AV, dificultando a passagem dos sinais elétricos.

## Sinais e Sintomas

Os sinais e sintomas do BCC variam dependendo do grau do bloqueio. Alguns bebês podem ser assintomáticos, enquanto outros podem apresentar:

* **Bradicardia:** Frequência cardíaca mais lenta que o normal para a idade.
* **Fadiga:** Cansaço excessivo, especialmente durante a alimentação ou atividades físicas.
* **Falta de ar:** Dificuldade para respirar.
* **Desmaios (síncope):** Perda súbita de consciência.
* **Hidropisia fetal:** Acúmulo anormal de líquido em tecidos e cavidades do corpo do feto, detectado durante a gravidez.

## Diagnóstico

O diagnóstico do BCC geralmente é feito durante a gravidez, através de um ecocardiograma fetal, que avalia a estrutura e função do coração do bebê. Após o nascimento, o diagnóstico pode ser confirmado por um eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração. A história clínica da mãe, incluindo a presença de doenças autoimunes como lúpus ou síndrome de Sjögren, também é importante.

## Tratamento e Acompanhamento

O tratamento do BCC depende da gravidade do bloqueio. Em alguns casos, o acompanhamento médico regular é suficiente. Em casos mais graves, pode ser necessário o implante de um marca-passo, um dispositivo eletrônico que estimula o coração a bater em um ritmo normal. O acompanhamento médico é fundamental para monitorar a função cardíaca e ajustar o tratamento conforme necessário.

## Qualidade de Vida e Apoio

Viver com BCC pode trazer desafios, mas com o tratamento e acompanhamento adequados, a maioria das pessoas pode levar uma vida normal. É importante:

* Manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular (sob orientação médica).
* Garantir um sono adequado.
* Buscar apoio emocional de familiares, amigos e grupos de apoio.
* Informar-se sobre seus direitos e benefícios sociais disponíveis.

## Pontos-Chave

* O Bloqueio Cardíaco Congênito (BCC) é uma condição rara que afeta o sistema elétrico do coração.
* A causa mais comum é a presença de anticorpos maternos que atacam o sistema de condução cardíaca do feto.
* O diagnóstico geralmente é feito durante a gravidez por meio de ecocardiograma fetal.
* O tratamento varia de acompanhamento médico a implante de marca-passo.
* O acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar a função cardíaca e ajustar o tratamento.
* Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas com BCC pode levar uma vida normal.

O que perguntar ao seu médico

  • Este diagnóstico é confirmado por exame ou é clínico?
  • Existe teste genético que confirme, e onde fazer?
  • Meus outros filhos ou parentes precisam ser investigados?
  • Qual especialista deve me acompanhar daqui em diante?
  • Existe tratamento específico, ou o cuidado é dos sintomas?
  • Tenho direito a algum medicamento pelo SUS?