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Doenças

Hipofosfatemia Familiar

Sobre a doença

# Hipofosfatemia Familiar

A Hipofosfatemia Familiar é um grupo de doenças hereditárias raras caracterizadas pela dificuldade dos rins em conservar o fosfato, e, em alguns casos, por alterações no metabolismo da vitamina D. Essa condição leva à baixa concentração de fosfato no sangue (hipofosfatemia) e pode causar problemas ósseos.

## Visão Geral

Normalmente, os rins reabsorvem o fosfato filtrado do sangue, mantendo níveis adequados para a saúde óssea e outras funções importantes. Na Hipofosfatemia Familiar, esse processo de reabsorção renal de fosfato é comprometido. Isso leva à perda excessiva de fosfato na urina, resultando em níveis baixos de fosfato no sangue. A falta de fosfato afeta a mineralização óssea, causando raquitismo em crianças (ossos moles e deformidades) e osteomalácia em adultos (enfraquecimento dos ossos).

**Sinônimos**: Hipofosfatemia hereditária tipo I (HPDR I), Hipofosfatemia hereditária tipo II (HPDR II), Raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D tipo I, Raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D tipo II, Diabetes fosfático, Hipofosfatemia ligada ao cromossomo X, XLH, Raquitismo resistente à vitamina D ligado ao cromossomo X.

## Causas e Mecanismos

A principal causa da Hipofosfatemia Familiar é uma mutação genética que afeta a função dos rins na reabsorção de fosfato. A forma mais comum é a Hipofosfatemia Ligada ao Cromossomo X (XLH), causada por mutações no gene *PHEX*. Esse gene produz uma enzima que regula o fator de crescimento de fibroblastos 23 (FGF23), um hormônio que controla a reabsorção de fosfato nos rins. Mutações no *PHEX* levam ao aumento da produção de FGF23, o que causa perda excessiva de fosfato na urina.

Outras formas de Hipofosfatemia Familiar podem ser causadas por mutações em outros genes, com diferentes mecanismos de ação, mas todos resultando na diminuição da reabsorção de fosfato pelos rins. A herança pode ser dominante ligada ao X, autossômica dominante ou autossômica recessiva, dependendo do gene afetado.

## Sinais e Sintomas

Os sinais e sintomas da Hipofosfatemia Familiar podem variar em gravidade, mas geralmente incluem:

* **Raquitismo (em crianças):** Deformidades ósseas, como pernas arqueadas ou joelhos valgos, atraso no crescimento, dor óssea e muscular.
* **Osteomalácia (em adultos):** Dor óssea, fraqueza muscular, fraturas frequentes.
* **Baixa estatura:** Devido ao comprometimento do crescimento ósseo.
* **Problemas dentários:** Abcessos dentários, esmalte dental fino e propenso a cáries.
* **Craniossinostose:** Fechamento prematuro das suturas cranianas (em casos raros).

## Diagnóstico

O diagnóstico da Hipofosfatemia Familiar geralmente envolve:

* **História clínica e exame físico:** Avaliação dos sintomas, histórico familiar e exame físico para identificar sinais de raquitismo ou osteomalácia.
* **Exames de sangue:** Medição dos níveis de fosfato, cálcio, vitamina D, fosfatase alcalina e hormônio paratireoidiano (PTH). Na Hipofosfatemia Familiar, o fosfato estará baixo, a fosfatase alcalina elevada e o PTH normal ou ligeiramente elevado.
* **Exames de urina:** Medição da excreção de fosfato na urina para confirmar a perda renal de fosfato.
* **Radiografias:** Para avaliar deformidades ósseas e sinais de raquitismo ou osteomalácia.
* **Testes genéticos:** Para identificar mutações nos genes associados à Hipofosfatemia Familiar (ex: *PHEX*). O teste genético pode confirmar o diagnóstico e auxiliar no aconselhamento genético.

## Tratamento e Acompanhamento

O tratamento da Hipofosfatemia Familiar visa aumentar os níveis de fosfato no sangue e melhorar a saúde óssea. As opções de tratamento incluem:

* **Suplementação de fosfato:** Administração oral de sais de fosfato para compensar a perda renal.
* **Suplementação de vitamina D ativa (calcitriol):** Para melhorar a absorção de cálcio e fosfato e reduzir os níveis de PTH.
* **Burosumabe:** Um anticorpo monoclonal que inibe o FGF23, aumentando a reabsorção de fosfato nos rins. Este medicamento é aprovado para o tratamento de XLH em crianças e adultos.
* **Cirurgia:** Em alguns casos, pode ser necessária para corrigir deformidades ósseas graves.

O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a eficácia do tratamento, ajustar as doses dos medicamentos e prevenir complicações.

## Qualidade de Vida e Apoio

Viver com Hipofosfatemia Familiar pode apresentar desafios, mas existem estratégias para melhorar a qualidade de vida:

* **Dieta:** Uma dieta rica em fosfato pode ajudar a complementar a suplementação medicamentosa.
* **Exercícios:** Exercícios de baixo impacto podem fortalecer os músculos e ossos.
* **Fisioterapia:** Pode ajudar a melhorar a força muscular, a mobilidade e a postura.
* **Apoio emocional:** Buscar apoio de familiares, amigos, grupos de apoio ou profissionais de saúde mental pode ajudar a lidar com os aspectos emocionais da doença.
* **Aconselhamento genético:** Para entender o risco de transmitir a doença para os filhos.
* **Direitos:** Informar-se sobre os direitos relacionados a doenças raras, como acesso a tratamento e benefícios sociais.

## Pontos-Chave

* A Hipofosfatemia Familiar é um grupo de doenças hereditárias raras que afetam a reabsorção de fosfato pelos rins.
* A principal causa é uma mutação genética que leva à perda excessiva de fosfato na urina.
* Os sintomas incluem raquitismo em crianças e osteomalácia em adultos, além de baixa estatura e problemas dentários.
* O diagnóstico envolve exames de sangue, urina, radiografias e testes genéticos.
* O tratamento visa aumentar os níveis de fosfato no sangue e melhorar a saúde óssea, com suplementação de fosfato, vitamina D ativa e, em alguns casos, burosumabe.
* O acompanhamento médico regular e o apoio emocional são importantes para melhorar a qualidade de vida.

O que perguntar ao seu médico

  • Este diagnóstico é confirmado por exame ou é clínico?
  • Existe teste genético que confirme, e onde fazer?
  • Meus outros filhos ou parentes precisam ser investigados?
  • Qual especialista deve me acompanhar daqui em diante?
  • Existe tratamento específico, ou o cuidado é dos sintomas?
  • Tenho direito a algum medicamento pelo SUS?